Na livre prisão
de si,
a culpa de sua própria
responsabilidade.
Giros dentro de seu círculo
e chega ao fim seu infinito dia.
Da leveza escorregadia de sua mão,
o adeus não
se completa.
Foram só as cinzas
que sobraram. A fumaça,
seu cheiro, nada passa.
A exaustão.
A dança.
A chama.
O não.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
terça-feira, 17 de maio de 2011
Granada
Lambuza essa boca!
Usa, abusa desse tom!
Flutua, delícia, por todo o salão...
Esse vestido dança levemente
Como a quem lhe pertence.
Quase dói de se ver...
Olhos podem comer?
Ela vai de lá para cá
Como quem não se importa com nada.
E quando a lua se for
Será que me leva para casa?
É mais uma que vai partir
E se partir por me deixar.
Há algo mais a pedir?
A conta, por favor.
Usa, abusa desse tom!
Flutua, delícia, por todo o salão...
Esse vestido dança levemente
Como a quem lhe pertence.
Quase dói de se ver...
Olhos podem comer?
Ela vai de lá para cá
Como quem não se importa com nada.
E quando a lua se for
Será que me leva para casa?
É mais uma que vai partir
E se partir por me deixar.
Há algo mais a pedir?
A conta, por favor.
Sim
Delicada manhã
De abraços e embaraços,
Corpos macios.
Os suaves toques
São calor no frio,
São sem amanhã.
Arrasta-se
Essa vontade de ficar,
Ou simplesmente de não se deixar.
Só resta ouvir "sim".
De abraços e embaraços,
Corpos macios.
Os suaves toques
São calor no frio,
São sem amanhã.
Arrasta-se
Essa vontade de ficar,
Ou simplesmente de não se deixar.
Só resta ouvir "sim".
Lonesome
Lá vai o cavaleiro das chuvas...
Ele dança, ele pula,
Bebe, faz cem firulas,
Anula seu tempo.
Canta para encontrar
Sua chama vermelha,
E se encanta ao deitar
Em sua fogueira-cama.
Abriram as cortinas!
O Sol não saiu,
Mas ele sim.
A chuva não caiu.
Porém, ele sim.
E as ruas estavam vazias
Como sempre.
Fácil é a alegria da liberdade de quem sente.
Difícil é jornada-partida do só, somente.
Só mente só.
Lá se foi o cavalheiro das ruas...
Ele dança, ele pula,
Bebe, faz cem firulas,
Anula seu tempo.
Canta para encontrar
Sua chama vermelha,
E se encanta ao deitar
Em sua fogueira-cama.
Abriram as cortinas!
O Sol não saiu,
Mas ele sim.
A chuva não caiu.
Porém, ele sim.
E as ruas estavam vazias
Como sempre.
Fácil é a alegria da liberdade de quem sente.
Difícil é jornada-partida do só, somente.
Só mente só.
Lá se foi o cavalheiro das ruas...
quinta-feira, 12 de maio de 2011
Quebra-cabeça
Quebra-se toda, a menina-mulher.
Monta-se, rua!
Desmonta-se, crua!
Dança, mulher!
Do chão, não passa.
E afinal, o que quer?
Deixe que suas longas pernas te levem.
Que, de preferência, te vendem!
Pois tens medo até de enxergar.
Lembre-se: quem não é gato,
Vive uma vida por vez.
Monta-se, rua!
Desmonta-se, crua!
Dança, mulher!
Do chão, não passa.
E afinal, o que quer?
Deixe que suas longas pernas te levem.
Que, de preferência, te vendem!
Pois tens medo até de enxergar.
Lembre-se: quem não é gato,
Vive uma vida por vez.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Otenos
Tudo é silêncio.
Nem insetos fazem tanto barulho.
Não há som que quebre este vazio.
São só os ecos do nada
Que chegam para lembrar
Da estranha inércia tão conhecida...
A loira até avisou:
- Mate o tempo, antes que o tempo te mate!
Pois nem vivo nem morro
E o tempo mal me bate.
Não sinto.
A solidão engole o que há por dentro
E apenas leva o brilho dos olhos,
Deixando comigo o inverso do soneto.
Nem insetos fazem tanto barulho.
Não há som que quebre este vazio.
São só os ecos do nada
Que chegam para lembrar
Da estranha inércia tão conhecida...
A loira até avisou:
- Mate o tempo, antes que o tempo te mate!
Pois nem vivo nem morro
E o tempo mal me bate.
Não sinto.
A solidão engole o que há por dentro
E apenas leva o brilho dos olhos,
Deixando comigo o inverso do soneto.
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