domingo, 20 de novembro de 2011

Velho Moço dos Amendoins

Janaína na garoa.
Um encanto de menina.
Velho moço e seus amendoins
Fazendo piada da vida
Já que não pode dar fim na maldita.
E nem quer dar!

Janaína não chamava atenção de ninguém.
Não dançava, não comia,
Mas sabia jogar os cabelos
Assim como tinha vintém.

O velho moço dos amendoins observava a cena:
Os pequenos gracejos aos breves sorrisos aos beijos.
Janaína era só uma menina que queria o novo.
Mas o novo deixa de ser novo.

E o velho moço dos amendoins
Via a fita repetida
Do começo ao fim de seus dias.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Maria Hilda

A roupa de cama havia rasgado.
Não foi de propósito,
Tampouco lamentara o ocorrido.

Depois do fracasso de sua overdose de comprimidos,
Maria Hilda resolveu faxinar o quarto
Às quatro da matina.

Para começo de papo,
Maria Hilda desligou o despertador.
"Se a temporada de insônia chegara,
Não precisarei de aviso para acordar".

Após xingar mentalmente
Àquela cartela de calmante
"De farinha", Maria Hilda iniciou
Pela gaveta das calcinhas.
Organizou-as por cor, sensual e sutien.
Descobriu que precisava de uma gaveta dos sutiens,
Mas achou trabalho demais para uma madrugada.
Deixou pra amanhã.

O alvo seguinte foi a sapateira
Que estava uma bagunça só,
"Umas combinações sem eira nem beira".


Pausou,
Suspirou,
Chorou um pouco
E prosseguiu.


Maria resolvera por o armário em dia.
Vestidos à direita, blusas-que-não-podem-amassar à esquerda.
E o que podia amassar
Iria pra dentro da gaveta mesmo
Que ninguém via.


Por fim, Maria decidira
Por seus papéis na mesa.
Arrumou-os simetricamente ao computador.
Os fones de ouvido, jogou ao lado
Daquele seu canetário de time.


Satisfeita, recolheu-se à cama
E deitou-se no escuro.
Percebeu, novamente, que sua única companhia
Era o brilho acesso de seu cigarro.


Chegara a temporada de insônia.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Coração de Pimenta

Foi a primeira vez que vinho
Ardeu ao descer a garganta.
Como num cheiro costurado
Ao travesseiro, sinto a saudade queimar

Todo o meu corpo,
E lamber toda a minha sanidade
Com suas agulhas de ausência.

E quem disse que é calma a loucura?
Meu coração de pimenta
Explode, grita dentro de alguma caixa
A espera daquela chegada

Em silêncio.

domingo, 13 de novembro de 2011

São Paulo, Dia 3

Algo falta-me

Na distância

Nessa insônia de você


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Telas de Aranhas

Não demonstra-se criatividade
Criando paginazinhas na internet;
Nem vejo felicidade
Em lingerie de cento e quarenta caracteres.

Admiro as aranhas
Que não criam redes.
Sou das teias.

Estou velha.

domingo, 6 de novembro de 2011

Das Desnomeadas

Algum desespero move-me
Da palavra presa
Da língua apagada
Alguma agonia toma-me.
Toma-me com essas mãos atadas
A esse maldito lápis que não escreve
A essa caneta que não cede
Ao meu copo destilado
E à poesia do outro.
Nem sei em que dia me encontro.
Ou desencontro.
Sabe-se lá
Esses destinos loucos da vida
Acorrentados a um caderno fechado.
Algum desespero prende-me
E não está nada bem.

Para Charles Bukowski

sábado, 22 de outubro de 2011

Notas Lizas (Soneto Russo)

Há anjos e demônios
E eu conheço bem os meus.
E os desconheço todos.


Na fumaça que trago,
Livro o ar que me deixa tonta
E danço ao silêncio de minha espera.


O silêncio brilha, grita,
Fita-me em você.
Que, aliás, pode ser qualquer eu
Aprisionado naquilo que penso.


Existe beleza nisso,
Nesse equilíbrio em desatino.
Sou exatamente o distinto
Natural de cada ser humano.