sábado, 14 de julho de 2012

Sentimento São Paulo

Traços feios no rosto
gozo nervoso
num esboço mal-feito
de cor


da imagem bonita
esquecer de ser
ausentar-se em si


em cada conquista da sequência
uma dúvida:
Solitude é estar só
E solidão é dizer não?


Contagem regressiva para o fim
pintado belamente
na parede da sala de estar


e está pronto para estourar
seu espumante de reveillon
desejando puro Moet Chandon


é o que ganhas por dar,
tirar, retirar,
revirar a funda gaveta de seus planos.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sofia

Sofia,
Nome de minha filha,
que alguém a tenha,

Me vejo em ti.

E vice-versa.

Em teus cachos presos,
Em teus olhos tímidos
De olhar
De ser
Alguém a completar
A lacuna sempre vazia

Vívida
ferida.

Esqueça
Do que não deve lembrar
E não cresça
- Não pense em crescer -
Distante assim

Assim
Como desejei estar
Como sempre, sempre
Desejei ficar

E hoje caibo aqui.

Sofia, me deixe levar
A sombra que te integra
Que me entrego.
Assumo daqui.
E trate de ser
Uma criança feliz

Como todas devem ser.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Um Dia

A criança vomita
A chuva esfria
O rádio grita
A obra pára
O carro gira
A alma aflita.

Alegria.

domingo, 13 de maio de 2012

Poesia do Século XXI

Que bela poeta serei
Se o tempo soa
Seria?

Tempoison

Nas linhas que surgem no meu rosto
futuras rugas
Que beleza me trouxe o tempo?
Onde está o tal
Doce gosto?

e se já não sou bela
como o espelho me disse
disso eu sei -
dia-a-dia -

não há boca vermelha
que salve
esse amargor
de perder-me jovem.

que girem a ampulheta.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Intimação

Acordou ao meu lado
E assim como quem nada quer
Achegou-se aos beijos
Pedindo aquela massagem de sempre no pé.


Vazio
Vadio
No resto no dia que deixou
Ao ir embora.


Será que amanhã,
Como quem não quer nada,
Você me deixa chegar
De mansinho e lhe roubar um beijo?
É que essa é a cura
Desse meu peito
Seu...

Diálogo de Surdos

O que lhe digo hoje
Não é o que queria
Há três semanas atrás.


Não me deseje mal
Nem me sorria
Dessa sua maneira atual.
Tenha a mínima decência
De me fechar essa cara feia


Emburrada


E assuma


A bruma de escárnio
Que tua alma chama.