passa noite
passa dia
e a moça passa
um paninho etílico
na mesa
o moço limpa janelas
com bosta
quem passeia perde sua
bolsa
seu bolso
se eu posso
ficar por você
não sei
não sei se acredito
no dito pelo não dito
no calado barulhento
que meu ouvido canino
há de ouvir
é um tal de hiato
um monossilábico
um semifonema
de diálogo
compreensível
velado incompreendido
Do ventre furado
Do pelo arrancado
Da pele curtida
Da boca ferida
Do verbo sofrido
Da letra arranhada
Da cor jogada
Do pé quebrado
O peito furou
A alma feriu
O sujeito quebrou
O ventre sofreu
A carne curtiu
O resto arranhou
O que se jogou
A vida arrancou
She didn't considered me a great lover
disse o filme
Ela bebia do vazio da própria sala
Em pequenas doses de solidão
Já receava uma ressaca escura
Pelas paredes
De causar dor aos olhos
É que embriagando-se de si
Não se vê com clareza
Sem palavras reais
Apenas ecoava em movimentos de jazz
She didn't considered me a great lover
cada vez que re
paro
palavras são
dis
pa
ros
sempre de olhos fechados
aquela garota passa pelos tempos
tentando sentir
para exercer o tom de sua
não-existência.
falando um bocado em silêncio
umas coisas sem porquê
se afoga
só
é como se vivesse dentro do aquário
distante do som real do mundo
fechando os olhos para não machucá-los
e sobre-viver em paz.
Desde o vento do Norte
As luzes das velas derreteram
Mais do que aquele filme meu
Me esqueci que poesia é sorte
E um sopro de alma
Que já se perdeu
E não há óculos escuros
Olhos nus
Ou lentes de grau
Que devolvam os borrados que vi
Sou o mais ínfimo dos todos
Nessa multidão retalhada
Que me consome entre escarros
E livros ditados pelos primeiros esquizofrênicos
Sou a ausência que estava guardada
A mais de dezessete chaves
Perdida nos detalhes cheios de dentes
Do semi-auto-retrato que libertei