sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Canto para os ébrios

a sobriedade machuca
em sua plena violência
full-gaz
num fardo
leve-
rdade
carregado dentro da mochila

quem se salva?

um gole
frio

domingo, 23 de setembro de 2012

O dia em que fui sombra
do que já fui
à sombra
de quem seria

sábado, 14 de julho de 2012

Sentimento São Paulo

Traços feios no rosto
gozo nervoso
num esboço mal-feito
de cor


da imagem bonita
esquecer de ser
ausentar-se em si


em cada conquista da sequência
uma dúvida:
Solitude é estar só
E solidão é dizer não?


Contagem regressiva para o fim
pintado belamente
na parede da sala de estar


e está pronto para estourar
seu espumante de reveillon
desejando puro Moet Chandon


é o que ganhas por dar,
tirar, retirar,
revirar a funda gaveta de seus planos.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Sofia

Sofia,
Nome de minha filha,
que alguém a tenha,

Me vejo em ti.

E vice-versa.

Em teus cachos presos,
Em teus olhos tímidos
De olhar
De ser
Alguém a completar
A lacuna sempre vazia

Vívida
ferida.

Esqueça
Do que não deve lembrar
E não cresça
- Não pense em crescer -
Distante assim

Assim
Como desejei estar
Como sempre, sempre
Desejei ficar

E hoje caibo aqui.

Sofia, me deixe levar
A sombra que te integra
Que me entrego.
Assumo daqui.
E trate de ser
Uma criança feliz

Como todas devem ser.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Um Dia

A criança vomita
A chuva esfria
O rádio grita
A obra pára
O carro gira
A alma aflita.

Alegria.

domingo, 13 de maio de 2012

Poesia do Século XXI

Que bela poeta serei
Se o tempo soa
Seria?

Tempoison

Nas linhas que surgem no meu rosto
futuras rugas
Que beleza me trouxe o tempo?
Onde está o tal
Doce gosto?

e se já não sou bela
como o espelho me disse
disso eu sei -
dia-a-dia -

não há boca vermelha
que salve
esse amargor
de perder-me jovem.

que girem a ampulheta.